Atearam sobre mim as cordas da melodia, puseram meu corpo embalsamado no meio do monte Olimpo. Ironicamente eu e os seres que nasceram da podridão da minha carne estávamos vivos.
As janelas são os meus olhos, os meus filhos meus ouvidos.
Senti-me julgado como Maria Madalena, ao invés das pedras da ignorância me puseram em um cavalo alado e expuseram-me nu diante a luz do amanhecer.
Eu pequei, arrastem-me pelos cabelos
Eu pequei, levem-me até a mata virgem
Eu pequei, eu pequei
Foram dividas as três partes:
A primeira repleta de ira quebrou todas as janelas,
A segunda guarnecia todo estoque de dor,
A terceira peça tiveram-na que quebrar à ponto de soltar todos os demônios.
Malditos sejam aqueles que nos fazem pra morrer
Malditos sejam os ruídos e sussurros que me assombram
Maldita seja a melodia das cordas que se arrastam
A Morte é santa quando convém, torna-se o ser sádico quando percebe que não tem mais volta.
(Luciano Gomes)
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